Quando tudo parece fora do lugar... não movas o mundo primeiro,
há dias em que a mudança mora no homem e não no roteiro.
Vi quem trocasse a consciência por meia dúzia de aplausos,
e quem dormisse sem nada... E acordasse sem grilhões nos pulsos.
A mesma chuva visita o trigo, a urze e a pedra,
o que muda não é a nuvem... é o que cada um alberga.
Copos cheios de vinho... almas vazias de sede,
há quem tenha casa inteira... Sem encontrar a parede.
Ela não vem para te partir... vem para separar.
O que é zumbido cai... o que era teu fica a falar.
Nem tudo o que se perde faz falta... nem tudo o que chega é ganho.
Há caminhos que parecem estranhos... porque nunca passa rebanho.
O ferro não inveja o ouro... Sabe de outro destino,
há brilho que compra olhos...
outro ilumina o caminho.
Quem só aprende com vitórias... conhece metade da vida,
a outra metade escreve-se quando a alma fica despida.
Uns guiados pela pressa... Com fôlego da espera,
frutos que caem cedo... árvores desafiam a primavera.
O tempo não leva tudo... Pode levar o disfarce,
deixa o nome à vista... para ver quem ainda nasce.
Quando tudo parece fora do lugar... não grites pela resposta.
Às vezes a vida fecha um livro... porque outro já bateu à porta.
não será o ponto final.
Será a vírgula...
Para dançar e recomeçar.