Não sou perfeito.
E, pelos vistos,
ninguém é.
Mesmo assim,
há sempre alguém
com um caderno na mão,
a fazer contas
à minha maneira de viver.
Dizem:
"Devias fazer isto."
"Devias ser aquilo."
Como se a minha respiração
lhes devesse explicações.
Carrego culpas
que nunca assinei.
Pago juros
de erros
que não foi só eu
que inventei.
É estranho...
há quem distribua sentenças
como quem distribui panfletos,
e não pergunte
quanto pesa
o lado de dentro.
Às vezes fico cansado.
Não da luta.
Das vozes.
Porque toda a gente
parece conhecer
o caminho da minha vida...
menos eu.
E talvez
o maior peso
não seja cair.
Seja viver
com a sensação
de estar sempre
a pagar
uma dívida
que nunca contraí.