Canto porque o silêncio
pesa mais que a minha voz,
às vezes falo comigo só
pra não me sentir a sós.
O mundo roda depressa
e eu tropeço no mesmo chão,
entre o verde que me acalma
e o cinza que me engole.
A vida é uma merda dura
para quem não aguenta,
uns choram alto, outros calam…
eu sou o que nem tenta.
Digo que estou firme,
e tremo sempre que o dia amanhece,
É uma causa da minha alma que adormece.
Vejo gente cheia de nada a fingir que é demais,
e gente cheia de tudo a esconder o que já não faz.
E eu? No meio, sem gravata,
sem mapa, sem lado,
sou medo, sou coragem,
sou tudo e nada ao mesmo fado.
O mundo diz que evolui
continua a girar vazio,
cores mudam, caras mudam, mas o sangue mantém o frio.
Às vezes apetece gritar,
E a voz fica presa,
E sem sentido, neste vazio
Eu vim do nada, e sem nada
aprendi a carregar.
E se o mundo vira as costas,
eu viro a cara a tentar
tenho a dor presa na boca
É a vida a tentar
Assim avanço desalinhado,
torto sem deixar de andar.
Há quem fale de força
eu carrego o peso calado,
sou o eco que fura paredes,
sou botão mal-amarrado.
sou silêncio que corta
quando estou cansado.
sou verso que cai
e volta sempre mais pesado.
Então canto,
mesmo sem vontade,
choro mesmo sem chorar,
aprendi a viver e a rimar
o que não dá para falar.
Posso cair, posso hesitar,
posso até ficar só,
cada linha que eu solto
é um pouco de mim
que o mundo não roubou.
mundo gira e eu tropeço no mesmo chão
vejo gente a correr,
A vida é labirinto,
sem rumo e a saída parece miragem,
sigo firme, rimo o que sinto,
E traço a minha viagem.
A rua ensina,
também devora esperança,
aprendi a sobreviver
e Gritar não adianta,
cantar é oração,
chorar não é opção,
Entre o verde que acalma
e o cinzento que consome,
sigo inteiro, sigo vivo,
mesmo quando tudo chegar,
que venha junto com verdade,
se a perda bater,
aprendo firmeza e lealdade.
Posso falhar, posso cair,
posso perder-me à vontade