Guarda-me nesse lugar onde o cansaço não entra,
onde uma gargalhada vale mais que cem respostas.
Há dias que chegam pesados, eu sei... também os conheço,
e quando o teu nome atravessa o pensamento, esse peso muda de endereço.
Não são encontros de fotografia, perfeitos para mostrar.
São aqueles que o tempo se esquece de contar.
Em que a pausa diz mais do que um discurso inteiro,
e num simples "olá" consegue devolver o mundo ao seu eixo.
Há pessoas que nos visitam.
Tu...
tens a estranha maneira
de ficar.
Quando voltarmos...
não falemos do que doeu.
Falemos da coragem
que ficou de pé.
Ri-te como da primeira vez...
olha-me como se o relógio
não tivesse aprendido
a separar pessoas.
Há sorrisos
que não acontecem.
Reconhecem-se.
Se um dia me encontrares mais calado, não perguntes o porquê.
Senta-te ao meu lado... às vezes a companhia responde primeiro.
Há abraços que chegam atrasados e continuam a ser pontuais,
o coração nunca aprendeu a medir distâncias por calendários.
Quero que a vida nos gaste os sapatos...
e nunca a vontade
de voltar a conversar.
Que o mundo faça o barulho dele.
Nós...
fazemos o resto.
Se um dia
já não soubermos
o caminho um do outro...
que um sorriso
nos reconheça primeiro
do que a memória.
Quando voltarmos...
que ninguém repare.
Que seja tão natural,
Tão certo,
como o mar encontrar a margem.
Sem promessas.
Sem teatro.
Só a paz
de saber
que ainda conseguimos
fazer o bem
um ao outro.
Num simples reencontro.