Não Te vi nos aplausos... vi-Te quando a praça esvaziou,
quando o eco do meu nome foi o primeiro que me abandonou.
A cidade vendia atalhos... eu comprava ilusão,
Tu deixavas uma luz acesa na divisão do coração.
O orgulho vestia fatos... a verdade vinha de lama,
há espelhos que mostram rostos... nenhum revela quem ama.
Troquei pressa por poeira, medalhas por direção,
descobri que há portas fechadas com cheiro a salvação.
Fui barro antes de forma, fui grito antes de voz,
fui estrada sem destino... e mesmo assim nunca perdi-Te de nós.
Porque antes do meu passo já conhecias o chão,
e antes da minha queda já seguravas a mão.
Não me livraste da guerra... ensinaste-me a ficar,
há batalhas que não acabam... aprendem só a mudar.
Se o medo me bate à porta, já não dita a decisão,
porque o peso da Tua paz tem mais força que a pressão.
Hoje não Te canto vitórias para parecer maior,
canto-Te porque vi esperança nascer dentro da dor.
Não peço dias perfeitos, peço um peito sem vaidade,
para não trocar a Tua voz por qualquer facilidade.
Se amanhã a minha estrada voltar a escurecer,
que eu não perca a memória da forma de Te reconhecer.
Porque há quem encontre Deus quando tudo já passou...
eu encontrei-Te no caminho... e o caminho transformou.