Algumas noites por dentro
Sem lugar para pousar
Há restos de tempo,
não param de voltar
Mastigo o lamento
Para não tropeçar
Falta-me o alento
Começo a lembrar
Fui ficando por perto
Sem ainda me levantar
Tentei não ceder
Acabei por andar
Se eu cair, deixa cair
Se eu partir, deixa partir
Já não quero desistir
Ao que me faz existir
Mesmo caído, quero seguir
Tenho frases por dizer
Presas antes de sair
Tenho raiva a ferver
Sem saber onde a dirigir
Por último ter de escolher
escolhas dão contas é admitir
Não admito feridas a crescer
Onde aprendi a sorrir
E há pedaços a morrer
Que ninguém consegue ouvir
Já não tento parecer
A parecer que deixei de sentir
Se eu cair, deixa cair
Se eu partir, deixa partir
Já não quero desistir
Ao que me faz existir
Mesmo caído, quero seguir
Ainda quero perceber
Porque custa tanto seguir
Se aprendi a sobreviver
Sem aprender a existir