Não Te encontrei na vitória...
encontrei-Te quando já não sabia o nome da esperança.
Quando a rua me chamava por caminhos sem regresso,
a Tua paciência continuava sentada à minha espera.
Passei por mesas onde o riso era alugado,
por abraços sem morada,
por promessas que envelheciam antes do amanhecer.
E Tu...
Nem uma vez viraste o rosto.
Enquanto eu discutia com o céu,
o céu já discutia por mim.
Quantas vezes pensei
que caminhava sozinho...
e afinal havia pegadas
que nunca foram minhas.
Hoje percebo.
Nem sempre fechaste as portas.
Muitas vezes
salvaste-me daquilo que eu chamava oportunidade.
Quando a minha pressa
queria decidir o destino,
a Tua mão escrevia futuro
num alfabeto que eu ainda não sabia ler.
Se hoje respiro diferente,
não é porque a vida ficou fácil.
É porque aprendi
que nenhuma tempestade
consegue afogar
quem navega dentro da Tua vontade.
Ainda falho.
Ainda tropeço.
Ainda há dias
em que o medo bate primeiro à porta.
Mas já não mora cá.
Porque a Tua presença
transformou a minha casa interior.
Já não Te peço riqueza.
Peço discernimento.
Já não Te peço caminhos curtos.
Peço pernas firmes.
Já não Te peço ausência de batalha.
Peço coragem
para não baixar os olhos
quando ela chegar.
Se algum dia
a minha voz desaparecer,
que as minhas atitudes
continuem a pronunciar o Teu nome.
E se um verso meu
conseguir tocar alguém,
que não me procurem a mim.
Que encontrem Aquele
que sempre escreveu
a melhor parte da minha história.
Porque antes de eu aprender
a falar Contigo...
Tu já conhecias
o idioma do meu coração.