O relógio na parede marca o tempo que eu perco,
Enquanto eu ensaio o que dizer, mas sempre travo, eu confesso.
Te vejo rindo de lado e o mundo em volta emudece,
A vontade é te agarrar, mas o medo me adoece.
É uma linha tênue, um abismo entre o "nós",
O silêncio grita alto quando eu quero ouvir sua voz.
Meu peito é um tambor, batendo forte na ansiedade,
Um segredo guardado que já virou prioridade.
Eu te amo no escuro, sem holofote, sem cena,
Mas o risco de te perder é o que causa o meu dilema.
Um passo pra frente e a amizade pode desandar,
Um passo pra trás e eu vou sofrer por não tentar.
Teu toque no meu ombro é como um choque de realidade,
Amigo por fora, mas por dentro é outra verdade.
Engulo as palavras pra não quebrar o encanto,
Enquanto o coração reclama em cada canto.
Será que você sente? Ou é só minha confusão?
Viver nesse "talvez" é minha própria prisão.
Queria te prender num abraço que nunca termina,
Te mostrar que o meu amor é o que me ilumina.
Mas sigo aqui, no ritmo da batida e do receio,
Te amando em segredo, com o peito cheio e o freio.
A amizade é o porto, mas eu queria o mar aberto,
Com medo de errar, querendo você por perto.