Verso 1
Agosto chegou sem pedir licença,
mas tinha o teu nome escondido no ar.
Augusto Raimundo Ginga,
o homem que ensinou a amar.
Catequista de fé tranquila,
mais gesto do que explicação.
Falavas de Deus com a vida,
não só com palavras na mão.
Pré-Refrão
Deixaste uma esposa, um lar inteiro,
seis caminhos por continuar:
uma filha, cinco filhos,
teu amor a multiplicar.
Refrão
Pai, Augusto, quando o mundo silencia,
é a tua voz que ouvimos em nós.
Fizeste do pouco um milagre diário,
foste abrigo, farol, foste voz.
Mesmo ausente, ainda guias
cada passo que damos a andar.
Verso 2
Carisma simples, riso aberto,
olhos atentos mesmo cansado.
Querias-nos bem, querias-nos vivos,
mesmo quando tudo era pesado.
Por tanto tempo sem funge na mesa,
a vida mudando o sabor do chão.
Mas em dois mil e vinte e quatro voltaste,
comeste como quem volta ao coração.
Pré-Refrão 2
Como se soubesses, em silêncio,
que era tempo de regressar.
Há despedidas que vêm disfarçadas
de pequenos atos de ficar.
Refrão
Pai, Augusto, quando o mundo silencia,
é a tua voz que ouvimos em nós.
Fizeste do pouco um milagre diário,
foste abrigo, farol, foste voz.
Mesmo ausente, ainda guias
cada passo que damos a andar.
Ponte
A tua esposa segue firme,
com a força que aprendeste a plantar.
Seis histórias levam teu sangue,
seis formas tuas de continuar.
À noite, olho o céu mais escuro,
procuro sinais, constelação.
Há um leão a vigiar-nos em silêncio,
Augusto vive em cada direção.
Refrão Final (baixo, íntimo)
Pai, prometemos tentar ser dignos
do amor que soubeste dar.
Se a fé vacilar nas mãos,
vamos lembrar-te — e continuar.
Outro
Agosto dói.
Mas agora sabemos:
Agosto chamava-se Augusto.
E ele vive em nós.