[Intro]
Pelo vidro da cidade, eu me vejo inteiro e nada
As ruas respiram rumor, e eu sigo a respiração errada
[Verse 1]
Sou uma peça no tabuleiro de neon, sem nome nem cor
Cada rosto é um mapa que não quer me deixar entrar
Vibra o asfalto, promessa vaga de encontro que não vem
Na multidão eu admiro o brilho, mas fico comigo, então vão buscar alguém
[Pre-Chorus]
Quem sou entre tantos quase notados? Quem sou além do reflexo?
O pouco que me abraça é o rumor de rumor, passo que não parece
[Chorus]
Perdido na avenida, eu busco um eu que não me trai
Entre sorrisos cintilantes, minha voz quase se desfaz
Quero tocar a proximidade que fica só no ar
Cidade, me dê um rosto que eu possa chamar de lar
[Verse 2]
Curiosidade que treme, passo apressado entre as esquinas
Olhos buscam alguém que me conheça sem critérios
A distância cresce quando o piscar do vidro aponta para perto
Eu sou peça pequena, mas o coração tenta ser inteiro
[Pre-Chorus]
Se eu me achego ao brilho, ele some como luz de escaparate
Se me escondo na massa, a identidade se esvai em parte
[Chorus]
Perdido na avenida, eu busco um eu que não me trai
Entre sorrisos cintilantes, minha voz quase se desfaz
Quero tocar a proximidade que fica só no ar
Cidade, me dê um rosto que eu possa chamar de lar
[Bridge]
Entre ruídos, eu me encontro em silêncio de caixa-escura
Procuro alguém que leia meu nome no zéfiro da noite clara
Talvez a cidade seja mapa e eu, a ausência que retorna
Mas ainda existe a vontade de ser visto, de ser inteiro de verdade
[Chorus]
Perdido na avenida, eu busco um eu que não me trai
Entre sorrisos cintilantes, minha voz quase se desfaz
Quero tocar a proximidade que fica só no ar
Cidade, me dê um rosto que eu possa chamar de lar
[Outro]
E quando o mosaico acende, eu me atrevo a querer morar em mim
Mesmo cercado de tudo, encontro meu próprio fim e começo assim