A cidade já começou,
há motores na avenida,
há gente a correr atrás do dia.
Nós não.
A luz entra devagar
e encontra-te primeiro.
Como quase tudo o que é bonito.
O café perde fumo,
a torrada perde calor,
e eu perco-me
na distração dos teus olhos.
Falamos pouco.
Mas há manhãs
que não precisam de argumento.
Há quem acorde com planos,
há quem acorde com pressa.
Eu acordo contigo.
E durante alguns segundos,
antes do mundo reclamar o seu lugar,
tudo parece resolvido.
Tu à minha frente.
O silêncio entre nós.
E esse silêncio,
alimenta mais
do que qualquer pequeno-almoço.
Neste nosso pequeno-almoço