Deus, eu não te peço ouro para andar a mostrar,
peço pão sobre a mesa e motivos para ficar.
Peço contas sem medo, uma casa em paz,
e poder olhar pelos meus sem perguntar se chega ou não chega mais.
Quero ver quem amo sorrir sem carregar preocupação,
quero ter mãos para ajudar quando apertar a situação.
Quero dinheiro, sim não tenho vergonha de pedir,
quero que sobre alguma coisa depois de pagar para viver.
Que nunca falte o trabalho, nem a força para o fazer,
que nunca falte saúde à vontade de vencer.
Que aquilo que hoje parece longe encontre a minha mão,
e que eu saiba receber sem perder o coração.
Eu acredito, eu acredito,
mesmo quando ainda não vejo.
Eu acredito, eu acredito,
Deus conhece o meu desejo.
Que venha a calma, que venha o pão,
que venha a luz para esta mão.
Não quero riqueza para me afastar,
quero prosperidade para poder cuidar.
Se vier dinheiro, que venha limpo, que venha certo,
que encontre uma porta aberta e um coração desperto.
Que eu possa pagar o que devo, respirar sem receio,
e dar aos meus um pouco do bem que tantas vezes não veio.
Quero uma mesa com conversa, não apenas comida,
quero tempo para os meus, porque também se compra vida.
Quero chegar ao fim do mês sem fazer contas ao tostão,
e ainda ter dentro do peito espaço para gratidão.
Se me deres mais, ensina-me a multiplicar,
não apenas para guardar mas também para partilhar.
Que a abundância não me torne aquilo que eu não sou,
que eu nunca esqueça as mãos que me seguraram quando nada sobrou.
Eu acredito, eu acredito,
mesmo quando ainda não vejo.
Eu acredito, eu acredito,
Deus conhece o meu desejo.
Que venha a calma, que venha o pão,
que venha a luz para esta mão.
Não quero riqueza para me afastar,
quero prosperidade para poder cuidar.
E se hoje ainda falta,
não vou chamar-lhe fim.
É só a parte da história
onde ainda estou a construir.
Eu acredito, eu acredito.