(Intro)
Terra fala baixo…
Mas hoje ela grita sangue.
EDVERSO
TIPOZHIN
(Verso)
Pé descalço no barro, espírito da mata no peito
Filho do rio, guardião do vento e do respeito
Antes do ferro chegar rasgando o horizonte
Antes da cruz prometer céu e trazer a morte
O canto da tribo ecoava na montanha
O sol pintava guerra na pele que apanha
Mas vieram navios cuspindo homens de aço
Trazendo fogo, pólvora e promessa no braço
Disseram “Deus”, mas trouxeram espada
Disseram “paz”, mas queimaram a aldeia sagrada
Criança correndo no meio da fumaça
Terra mãe chorando vendo o sangue na praça
Machado caiu onde o espírito morava
A árvore tombou… a memória gritava
Rios ficaram vermelhos contando a história
De quem virou fantasma preso na própria memória
Chamaram de conquista… mas foi massacre
Chamaram de civilizar… mas foi ataque
Nos tiraram o nome, a terra e o chão
Mas não arrancaram o espírito do trovão
(Ponte)
O vento ainda carrega o canto antigo
Mesmo que o mundo finja não ouvir comigo
(Final)
Somos a raiz que a espada tentou cortar
Somos o eco que a morte não vai calar
A floresta lembra… cada filho tombado
A terra nunca esquece seus conquistados.
TIPOZHIN
EDVERSO