[Intro]
Ecoa o silêncio entre as caixas, um brilho no pó
A cassete velha sussurra o que ficou para trás, só nós
[Verse 1]
Enrosco o tempo no byro da cabeça, ouço uma voz que não é minha
É tua voz, mesmo quando a noite insiste em ser fria
As fitas guardam memórias como cartas amassadas no chão
Começam a rir de mim, depois me abraçam com a dor do não
[Pre-Chorus]
O equipamento range, parece quase vivo, quer voltar a falar
Cada palavra é um passo perdido, um marco a recordar
[Chorus]
E eu seguro o tempo entre os dedos, como quem não quer acordar
A voz distante abre a janela do peito, me faz lembrar
É doce e cortante o retorno do teu riso antigo a me procurar
A ausência é o silêncio que insiste em me acompanhar
[Verse 2]
Procuro teu olhar na dobra da fita trocada de cor
Promessas que não cabe na borda do todo, só dor
Gravado fica o tom que vive na garganta do que foi
Entre falhas e pausas, a verdade que ficou com você
[Pre-Chorus]
O rolo gira, o passado respira, quase sussurrando teu nome
Entre chiados, o amor não some, ele se acomoda no palco do lame
[Chorus]
E eu seguro o tempo entre os dedos, como quem não quer acordar
A voz distante abre a janela do peito, me faz lembrar
É doce e cortante o retorno do teu riso antigo a me procurar
A ausência é o silêncio que insiste em me acompanhar
[Bridge]
Se a vida é estrada, tua voz é bússola que não tem fim
Mesmo sem presença, a tua risada me guia até o fim
[Chorus]
E eu seguro o tempo entre os dedos, como quem não quer acordar
A voz distante abre a janela do peito, me faz lembrar
É doce e cortante o retorno do teu riso antigo a me procurar
A ausência é o silêncio que insiste em me acompanhar
[Outro]
Que a fita se desgaste devagar, que eu aprenda a te ouvir no ar
Mesmo sem você aqui, tua voz ainda vem me encontrar