[Intro]
Gotas de café na janela, silêncio que cabe no peito
Um cronômetro constela o relógio do meu afeto
[Verse 1]
A cada prato lavado, vejo um mapa de pequenas rotas
Rachaduras na pia brilham como minúsculos cometas
Passos na cozinha ditam o tempo, não é pressa, é cuidado
E no vapor que sobe, o mundo parece ter sido desenhado
[Chorus]
O extraordinário sussurra nas coisas que repetimos
Entre as tarefas da manhã, eu me encontro e sigo
Descubro devagar o que sempre esteve ali perto
A beleza mora no comum, no simples, no afeto encoberto
[Verse 2]
Folhas de jornal dobradas viram barcos de papel no chão
A caneca fria guarda histórias que o dia quer contar
A linha de uma calça, o fio que desfia a noite, calma
É nessa repetição que o invisível se apresenta em calma
[Chorus]
O extraordinário sussurra nas coisas que repetimos
Entre as tarefas da manhã, eu me encontro e sigo
Descubro devagar o que sempre esteve ali perto
A beleza mora no comum, no simples, no afeto encoberto
[Bridge]
Se eu fechar os olhos, vejo o planeta caber no prato
Se eu respirar fundo, o silêncio vira abraço gasto
[Chorus]
O extraordinário sussurra nas coisas que repetimos
Entre as tarefas da manhã, eu me encontro e sigo
Descubro devagar o que sempre esteve ali perto
A beleza mora no comum, no simples, no afeto encoberto
[Outro]
E quando o dia descer, eu ainda vou notar
Que o mundo inteiro cabe em uma rachadura de normalidade