[Intro]
Noite baixa, a cidade respira salário cambaleante
Um demônio sorridente aparece, com chifres brilhando no elevante
[Verse 1]
O piso grita na carteira, tão pequeno quanto a esperança
Enquanto em SP a conta dança, descompassa a balança
O demônio sorri, com gravata torta, cifras que não se alinham
Comparando o país inteiro com as notas que ele ostenta
[Chorus]
Chifre, riso ardente, lucro de câmara alta
Meu salário canta baixo enquanto ele ensaia a calçada
Disparidade que fede a ironia, num país que se chama vez
O piso não é chão, é passarela que esconde a raiz
[Verse 2]
Cala a voz do quadro, a educação vira assunto de museu
Enquanto o demônio distribui promessas como pão de melado e pexeú
O salário em São Paulo dança na fronteira do real
Verso a verso, a distância entre o sonho e o actual
[Chorus]
Chifre, riso ardente, lucro de câmara alta
Meu salário canta baixo enquanto ele ensaia a calçada
Disparidade que fede a ironia, num país que se chama vez
O piso não é chão, é passarela que esconde a raiz
[Bridge]
Quem paga a conta? Quem segura a média? Quem aguenta o peso?
Rindo do governo, o demônio fecha o cofre a sete chaves
[Chorus]
Chifre, riso ardente, lucro de câmara alta
Meu salário canta baixo enquanto ele ensaia a calçada
Disparidade que fede a ironia, num país que se chama vez
O piso não é chão, é passarela que esconde a raiz
[Outro]
Que a gente acorde, que o grelo não quebre, que o chão não ceda
Demônio sorridente, o sorriso dele já não me comovida
[End]