Tinha um irmão que a vida escondeu
Nunca ouvi tua voz, nunca vi teu olhar
Só sinto teu nome batendo no meu
Como um sonho que eu nunca pude tocar
Meu pai foi um vulto que não quis ficar
A vida seguiu sem ele pra me guiar
E a avó que era porto, também se apagou
Deixando o silêncio que aqui ecoou
E eu cresci tentando entender
Os pedaços que o tempo levou de mim
Metade de mim ainda é saudade
De quem foi embora sem deixar metade
De quem me ensinou a ser sem estar
De quem me feriu e ficou pra cuidar
Metade de mim ainda quer voltar
Pro abraço que nunca pôde alcançar
Mas a outra metade aprendeu a andar
Mesmo sem ter pra onde voltar
Um padrasto que foi pai, foi chão
Fez de mim o que eu sei que sou
Mas a vida, com suas voltas em vão
Nos pôs distantes, sem dizer adeus
E a mãe que me magoou sem saber
Hoje tenta comigo aprender a renascer
Costurando as dores no fio do amor
Refazendo com lágrimas o que quebrou
Eu carrego saudades, mas sigo a sorrir
Mesmo partido, eu escolho insistir
Cada ausência moldou quem eu sou
Cada dor, um pedaço que não me deixou...
Metade de mim ainda é saudade
De quem foi embora sem deixar metade
De quem me ensinou a ser sem estar
De quem me feriu e ficou pra cuidar
Metade de mim ainda quer voltar
Pro abraço que nunca pôde alcançar
Mas a outra metade...
Aprendeu...
A amar...
O que eu trouxe aqui:
O irmão que nunca conheceu.
O pai ausente.
A avó que partiu.
O padrasto que foi importante, mas a distância separou.
A mãe com quem houve mágoa, mas hoje existe uma tentativa de reconstrução.