[Intro]
Vozes na praça, olhos de rumor
Entre a poeira dos caminhos e o rumor
A vida desenha na pele o que a fé não resolve
[Verse 1]
No Cunene, há pessoas, quase invisíveis ao relógio
Mãos que esperam água, pão, um peito que acolha o medo
Lito Deputado é nome que atravessa o vento
Promessas que chegam como chuva, carregadas de intento
Mas a cidade quer entender quem paga o preço
Quais são os rostos por trás de cada benefício expresso
[Chorus]
Quem olha para a gente, quem vê a constelação do chão
Quem responde às perguntas quando a voz é teu clarão
A verdade caminha devagar, contraditória e fria
Mas é a única ponte que nos leva até a harmonia
[Verse 2]
As ajudas entram como rios que tentam saciar a sede
Mas o silêncio entre as notas da política às vezes é grande
Alguns dizem que há falhas, dúvidas em cada régua
Outros veem salvação, uma linha que não se mede
E a narrativa cresce, entre denúncia e testemunho
Entre a gente que precisa, e o que é apenas de desenho
[Chorus]
Quem olha para a gente, quem vê a constelação do chão
Quem responde às perguntas quando a voz é teu clarão
A verdade caminha devagar, contraditória e fria
Mas é a única ponte que nos leva até a harmonia
[Bridge]
Há quem conte histórias para justificar caminhos
Há quem peça investigação, apurar os desvios
Contexto da sociedade que debate políticas e vizinhos
Responsabilidade partilhada, por entre conflitos e sinais
[Verse 3]
Personagens surgem: a professora que guia os alunos do vento
A médica de campo, o vendedor que carrega o tempo
Cada rosto carrega consequências de decisões
Os debates públicos, as perguntas, as próprias contradições
[Chorus]
Quem olha para a gente, quem vê a constelação do chão
Quem responde às perguntas quando a voz é teu clarão
A verdade caminha devagar, contraditória e fria
Mas é a única ponte que nos leva até a harmonia
[Outro]
Que a praça seja lugar de ouvir, de revisitar o mapa do afeto
Que cada ajuda tenha rosto, que o conflito seja convite ao teto
Refletir, reconhecer, abrir espaço ao contraditório
Para que a sociedade aprenda a cuidar do humano em seu giro