[Verso]
Cativeiro na mente, corrente no peito
olhar desconfiado, silêncio suspeito
já vi amor a virar aproveito
por isso hoje caminho sozinho e direito
Falam de mim como se soubessem metade
mas ninguém viu a guerra por trás da verdade
dei lealdade, recebi falsidade
e agora confundem frieza com maldade
Tu querias poesia, eu dei cicatriz
querias calma bonita, eu vim do que fiz
há sangue no chão de tudo o que eu não disse
e um homem aprende cedo que sentir não basta aqui
Rua no corpo, raiva contida
cara tranquila, alma ferida
já vi abraço virar despedida
e promessa morrer na primeira subida
[Refrão]
Então não me peças luz
quando eu vim do escuro
não me peças calma
se eu sobrevivi no duro
Eu sou produto da queda
da pressão e da fome
há dores que não matam
só mudam o nome
[Verso 2]
Hermita no modo, fechado no bloco
há gente que encosta só pra ver o tombo
e eu já tou cansado de dar-me aos poucos
pra no fim ouvir “mudaste”, vindo dos outros
Mudei, claro que mudei
o mundo também não ficou igual
cada traição deixou sinal
e cada silêncio tornou-me fatal
Agora o meu coração fala pouco
mas quando explode parece sufoco
amor em mim nunca foi jogo
foi incêndio vivo escondido no corpo
[Outro]
E se hoje eu ando frio
não é mania nem teatro
é que quem já caiu fundo
aprende a viver no impacto