[Verso 1]
Vejo o mundo partido em reflexos
cada versão minha fala em dialectos
há sombras fundas nos meus trajectos
mas também luz escondida nos afectos
Já fui frio como vidro estalado
já vivi noites sem sentir o lado
humano em mim, quase desligado
tipo corpo vivo com o peito fechado
Mas hoje carrego outra visão
menos impulso, mais percepção
porque até a dor e a confusão
mudam de cor conforme o coração
[Refrão]
Nada é só preto ou branco
há beleza até no caos
cada cicatriz que eu tranco
também me ensinou caminhos novos
E eu sigo…
entre ruína e claridade
a tentar transformar peso
em identidade
[Verso 2]
Néon molhado na avenida
bass profunda a mexer na ferida
guitarra triste na batida
e eu a sentir tudo mais vivo na subida
Há gente que só vê superfície
mas eu vejo o que ninguém disse
olhos cansados, medo, deslize
e almas à procura de algum eclipse
Talvez crescer seja aceitar
que até o escuro sabe iluminar
e que às vezes pra respirar
é preciso primeiro quebrar
[Outro]
Hoje já não fujo das minhas versões…
aprendi a fazer luz
com todas elas