Passei tanto tempo a correr sem destino,
A vestir sorrisos por cima do desatino.
Dei tanto aos outros, esqueci-me de ficar,
Enquanto o meu reflexo deixava de me olhar.
Vi o tempo a fugir por entre as minhas mãos,
Promessas por cumprir, silêncios e ilusões.
Quem me conhece por dentro sabe bem quem fui,
até a minha sombra, às vezes, me destrói.
Hoje paro, respiro, já não vou fugir.
Se a estrada é longa, começo por me ouvir.
Preciso de mim, antes do mundo inteiro,
De voltar a ouvir o silêncio verdadeiro.
Se me perdi nas curvas da vida sem fim,
Hoje dou o primeiro passo... de volta para mim.
Não procuro culpados, nem quero vencer,
Quero paz no peito quando o sol nascer.
As cicatrizes não me tiram o valor,
São páginas escritas pela tinta da dor.
Aprendi que a força não grita nem faz barulho,
Nasce devagar, onde morreu o orgulho.
E se a vida me dobrar, eu volto a insistir,
Porque quem toca no fundo... aprende a ressurgir.
Se me vi perdido, também me vou encontrar.
Não há noite tão escura que impeça o dia de chegar.
Hoje abraço o que sou, sem medo do que fui,
Porque ninguém me conhece... melhor do que eu.
Preciso de mim, antes do mundo inteiro,
De voltar a ouvir o silêncio verdadeiro.
Se me perdi nas curvas da vida sem fim,
Hoje dou o primeiro passo... de volta para mim.
De volta para mim...
De volta para mim...