[Verso 1]
Eu já não sei ser leve, nem breve, nem certo
sou tudo o que sente quando o peito tá aberto
amor por dentro desperto, mas sempre deserto
e eu fico desperto no escuro encoberto
Fui gesto inteiro demais pra quem só quis metade
verdade em excesso num mundo de vaidade
dei casa ao acaso, abrigo à saudade
e fiquei sem endereço na própria cidade
Sou verso em conflito, bonito e partido
um grito contido num peito esquecido
amor repetido, mal devolvido
e eu sigo, perdido, mas nunca vencido
[Refrão]
E se eu não fui feito para ficar
se eu só sou quem aprende a amar
Diz-me Deus, onde é que eu falho?
ou é o mundo que foge do meu abraço falho?
E eu fico aqui
entre o sim e o não
com o coração preso
em demasiada razão
[Verso 2]
Vi promessas a cair como vidro no chão
cada estilhaço um pedaço de ilusão
vi “ficas” a morrer na mesma oração
e “volto já” a virar solidão
E eu fiquei… sempre eu fiquei
com o resto do que dei e do que entreguei
sou demasiado inteiro pra quem não amei
ou demasiado intenso pra quem confiei
Já não sei se é defeito ou é só destino
amar como fado, sofrer como hino
mas há noites em que eu paro e imagino
se alguém me escolheu ou se eu só desatino
[Refrão Final]
E se eu não fui feito para ficar
se eu só sou quem insiste em amar
Então deixa-me Deus, sem explicar
ensina-me só a parar de me culpar
Porque eu fico aqui
entre o vento e o fim
a tentar ser suficiente
para alguém fora de mim
[Outro]
E se a vida é isto, voltar e cair
então eu já sei como é sobreviver
mas ninguém me ensinou a partir
sem me perder antes de me escolher