Escuta…
O chão treme, mas ninguém sente.
O vento leva o que sobra, mas ninguém entende.
Calçada partida, tinta descascada,
Sussurros antigos guardam a cidade cansada,
Olhos na janela, mente aprisionada,
Respirar é crime? Aqui ninguém faz nada.
Ruas mudas, eco de passos ocultos,
Som de portas fechadas, segredos adultos,
Peso no peito, silêncio absoluto,
Vida não perdoa, nem aceita insultos.
Sol bate no muro, calor que aperta,
Gente passa depressa, mente encoberta,
Risos escapam, mas a dor é certa,
O mundo continua, ninguém se liberta.
Fogo nas mãos, mente a mil,
Código escondido, coração febril,
Cada esquina é armadilha subtil,
Quem não sente pressão, não sabe o que é real.
Som na caixa, ritmo a quebrar,
Falsos amigos tentam derrubar,
Mentiras espalhadas pelo ar,
Quem vive atento não deixa passar.
Plantas crescem entre betão rachado,
Rios escondem histórias que ninguém tem contado,
Cidades dormem, almas acordadas,
O tempo passa e tudo é moldado.
Neon rasga a noite, reflexos partidos,
Passado dobrado, futuro esquecido,
Ritmo pesado, corpo erguido,
Quem aprende com dor não fica rendido.
Silêncio que corta como lâmina,
Olhar atento, ninguém me engana,
Fogo no peito, gelo na cara,
O mundo gira, a verdade não se cala.
E no fim da rua, no fim do jogo,
Não há heróis, nem vilões, nem fogo,
Só gente que vive, que cai e se levanta,
Entre mentira, luta e esperança que espanta.
Cidade respira, o mundo explode,
Entre caos e luz… a vida é o que todos rode.
Sem fuga.
Sem plateia.
Só pulso.