[Intro]
Sob o sol do interior, eu sigo o passo manso
Entre cortinas de seda e gritos do cativeiro, eu avanço
[Verse 1]
Sou o peso das correntes que o silêncio não ousa falar
Vejo o ouro na mesa, vejo o aço nas mãos do senhor
Rios de lágrimas que nenhum brasão pode lavar
Meu mundo é o chão, o teto é o teu temor
[Pre-Chorus]
Mas quando a coroa brilha, o chão parece cantar
A mentira do luxo que faz o povo calar
[Chorus]
Brasil inteiro, o insolente brilho do poder
E a sombra do chicote que aprende a não esquecer
Eu sirvo a tudo que o mundo não pode ver
Enquanto você ri, eu ainda vou sobreviver
[Verse 2]
Pintam jardins onde não há raiz pra crescer
Promessas douradas caem como chuva de barros e véus
Meu corpo carrega os contos que o tempo tentou esconder
Mas o passado insiste em abrir as feridas do papel
[Pre-Chorus]
O banquete é de ouro, o prato é de cinza e pudor
A justiça é uma espada que não sabe o que é perdão
[Chorus]
Brasil inteiro, o insolente brilho do poder
E a sombra do chicote que aprende a não esquecer
Eu sirvo a tudo que o mundo não pode ver
Enquanto você ri, eu ainda vou sobreviver
[Bridge]
Se fechar as portas, o cavalo ainda ouviu o trote a passar
Se abrir a porta, a história se põe a marchar
[Chorus]
Brasil inteiro, o insolente brilho do poder
E a sombra do chicote que aprende a não esquecer
Eu sirvo a tudo que o mundo não pode ver
Enquanto você ri, eu ainda vou sobreviver
[Outro]
Eu sonho com a manhã em que o peito não tenha prisão
E a verdade seja o pão que mova cada portão