[Verso 1]
Mente prismática, estética quase enigmática
dicção cirúrgica, pulsação cinemática
trago melancolia acústica na gramática
e uma presença naturalmente problemática
Não vim da superfície plastificada
vim da fuligem emocional da madrugada
onde cada cicatriz mal sarada
me deixou a lucidez mais afiada
Há léxico sísmico na minha retórica
densidade lírica, cadência metafórica
transformo dor psicológica
em arquitectura fonética quase filosófica
[Refrão]
Magnético…
mesmo quando entro calado
há qualquer coisa no meu caos
que deixa o ambiente alterado
Magnético…
não por vaidade estética
mas pela intensidade autêntica
da minha frequência energética
[Verso 2]
Vim de atmosferas claustrofóbicas
conversas cínicas, noites narcóticas
gente vazia com poses exóticas
e emoções mecanicamente robóticas
Mas eu permaneci indomável
mesmo em cenário desfavorável
porque o meu impulso insondável
nunca foi domesticável
Há versos meus que parecem liturgia
mistura de fúria com elegia
porque quem já encarou a agonia
aprende a escrever com anatomia
[Ponte]
Não confundas silêncio com ausência de poder
as marés mais violentas
também começam discretamente
[Verso Final]
Hoje caminho com outra postura
menos ansiedade, mais estrutura
porque a verdadeira compostura
nasce depois da ruptura
A minha arte não procura simpatia
procura impacto, ressonância e alquimia
quero frases que provoquem insónia
e emoções difíceis de traduzir em teoria
[Outro]
Porque há música para entreter…
e há música
que reorganiza o interior de quem escuta