(Intro - Batida lenta, piano triste com um leve chiado de rádio)
Eu vejo o sorriso, mas ouço o lamento...
O mundo é barulho, e eu sou o instrumento.
Não sou só uma criança brincando no chão,
Sou um rádio ligado na sua solidão.
(Verso 1)
Lugar nenhum era lar, só um número e um teste
Cresci entre jalecos, fugindo do leste
"Não chore, 007, mantenha o foco"
Mas como não chorar se o medo eu sufoco?
Me jogaram no mundo com um fone invisível
Ouvindo a maldade num tom impossível
Eu mudo de nome, eu mudo de rosto
Buscando um pai que não me deixe pelo desgosto.
(Refrão)
É muito barulho dentro da minha mente
Eu leio a verdade, mas minto pra gente
Caminhando na corda, tentando ajudar
Com medo do dia que o silêncio voltar.
Waku waku? É só pra esconder...
Que eu sei o que vocês tentam esquecer.
(Verso 2)
O "Pai" é um espião com as mãos sujas de sangue
A "Mãe" é a morte vestindo esse bange
Eu olho pra mesa, o jantar tá servido
Mas sinto o perigo de um amor proibido.
Se eu errar a nota, se eu não for esperta
A porta do orfanato ainda tá aberta?
Eu tiro nota baixa, o mundo se apaga
Porque ser "útil" é a única conta que paga.
(Ponte)
Eles pensam "que fofa", "que jeito engraçado"
Mas ninguém percebe meu peito apertado
Anya quer paz, Anya quer uma família
Mas vive o roteiro de uma guerrilha.
Eu finjo que não ouvi, eu finjo que não vi
Mas dói saber que o mundo acaba aqui.
(Outro)
Amendoins não curam o que eu escuto à noite.
O pensamento humano é o meu maior açoite.
... Por favor, não me devolvam.
Eu prometo... eu prometo que não ouvi nada.