Dizem que a saudade nasce quando alguém parte...
É.
A minha nasceu no instante em que te vi.
E quando o coração, encontra o lugar onde pertence,
passa a ter medo de perder
até um segundo para te ver
Desde esse dia,
o tempo deixou de contar horas.
Conta abraços.
Conta olhares.
Conta os silêncios
onde a tua respiração adormece junto da minha.
Há um mundo inteiro lá fora...
E eu encontro o universo
na curva do teu sorriso.
Se me perguntarem o que é amar...
Não respondo com palavras.
Apontarei para o brilho dos teus olhos
quando encontras os meus.
E há verdades
que a boca nunca conseguirá dizer.
Se isto não é amor...
Porque acelera o peito
cada vez que te aproximas?
Porque tremem as minhas mãos
quando entrelaçam as tuas?
Porque é que o teu nome
tem o dom de calar todas as tempestades?
Tu és a única saudade
que eu aceito sentir
mesmo estando ao meu lado.
Porque amar-te...
É ter medo
que a eternidade
não seja o suficiente.
Há noites em que te observo em silêncio,
como quem contempla o nascer do sol
sem coragem para desviar o olhar.
E penso...
Como é possível tanta paz
num único abraço?
Como é possível uma só pessoa
transformar cicatrizes em morada?
Tu não curaste as minhas feridas.
Ensinaste-as
a deixar de doer.
E se um dia a vida me tirar tudo...
Que me deixe apenas
a memória da tua voz.
Porque quem ouviu o coração da pessoa que ama
nunca mais suporta o vazio.
Eu quero o privilégio
de continuar a descobrir-te,
como quem lê o mesmo poema
e encontra um verso novo
em cada madrugada.
Como o mar abraça a falésia,
sem desistir.
Como a chuva procura a terra,
sem perguntar se será bem-vinda.
Até que os nossos nomes
deixem de existir separados.
Até que a tua felicidade
se torne o único lugar
onde o meu coração
saiba regressar.
Porque a saudade...
não é sentir.