Procurei no mundo aquilo que faltava,
mudei de estrada, de pele, de palavra,
culpei o tempo, culpei a madrugada,
a resposta vinha sempre na mesma morada.
Era em mim.
Sempre foi em mim.
Tenho conversas que nunca terminei,
versões de mim que ainda não perdoei,
dias inteiros a pensar no que pensei,
quanto mais me procuro, parece que menos sei.
Eu tento arrumar o que ninguém vê,
faço de conta que já sei o que fazer,
Sempre qualquer coisa que insiste em permanecer,
uma pergunta sem coragem de se dizer.
Era em mim,
não era o mundo contra mim.
Era a guerra que eu fazia
cada vez que olhava para mim.
Era em mim,
sempre esteve aqui.
Passei tanto tempo a fugir
que quase me esqueci de voltar para mim.
Tenho defeitos que conheço de cor,
alguns ganhei, outros nasceram sem favor,
Quis ser melhor antes de saber quem era,
quis ter respostas antes de aceitar a conversa,
quis apagar cada falha da minha história,
como se uma vida limpa
fosse uma vida sem memória.
Não me procurei perfeito,
quero-me verdadeiro.
Olhar para este rosto
E encontrá-lo mais inteiro.
Era em mim,
não era o mundo contra mim.
Era a guerra que eu fazia
cada vez que olhava para mim.
Era em mim,
sempre esteve aqui.
Passei tanto tempo a fugir
que quase me esqueci de voltar para mim.
Se amanhã houver coisas por resolver,
que haja coragem para as conhecer.
Não preciso de ser outro
para voltar a nascer em mim.