Trouxe comigo
as manhãs por acabar,
o fumo do café
e o teu cabelo a acordar.
Trouxe o silêncio
que deixavas na cozinha,
essa paz tão rara
que nem parecia minha.
Guardei os dias
que ninguém viu passar,
os segredos da luz
sobre o teu olhar.
E se o tempo
me pedir inventário,
levo apenas
o que foi necessário.
O teu nome.
O teu riso.
A calma.
E nas paredes do paraíso,
pinto a minha história.
Não com ouro,
nem glória.
Mas com o eco
das coisas simples:
a tua mão na minha,
e a vida inteira
a caber num instante.
Nas paredes do paraíso,
pinto a minha história.