Há relógios na parede,
há calendários no vidro,
mas quando ela sorri
deixam de fazer sentido.
A cidade conta horas,
nós contamos horizonte,
ela pousa a mão na mesa
e o infinito fica ao alcance.
Somos a falha na lógica,
o desvio na geometria,
dois pontos sem destino
a inventar a própria via.
E eu gosto desse mistério,
dessa ciência sem estudo,
porque ela diz tão pouco
e explica-me quase tudo.
Há quem procure respostas
nos livros ou no escuro,
eu encontrei-as nos olhos
de quem me chama ao futuro.
Eu e ela somos outro universo.
Sem mapa.
Sem império.
Só uma constelação secreta
a acontecer em silêncio.
E se um dia o tempo cobrar
o que levou no percurso,
nas paredes do paraíso,
pinto a minha história.
E ela...
o meu universo.