Intro
Silêncio…
Isso não é música pra dançar
É pra acordar
Verso 1
Nasci onde promessas morrem cedo
Onde o futuro aprende a andar com medo
Criança cresce rápido demais
Porque a fome não espera pelos pais
Escola sem livro, hospital sem remédio
Político sorrindo em cima do tédio
Falam de progresso na televisão
Mas na rua o progresso não chegou não
Vi talento morrer por falta de apoio
Vi jovem virar estatística no ódio
Quem rouba milhões ganha proteção
Quem rouba pão vira caso de prisão
Refrão
Meu microfone é arma, não é diversão
Cada verso é denúncia, intervenção
Não me peçam silêncio, eu não devo nada
Se a verdade dói, é porque é maltratada
Microfone é arma, palavra é munição
Rap não é moda, é posição
Se a rua sangra, eu canto a ferida
Essa é a voz de quem luta pela vida
Verso 2
Dizem “trabalha”, mas não criam emprego
Dizem “estuda”, mas cortam o acesso
Diploma na mão, porta fechada
Currículo limpo, vida travada
Mulher sofre calada no lar
Enquanto o agressor aprende a disfarçar
Criança vende água no sinal
Enquanto o futuro vira marginal
Igreja cheia, rua vazia de pão
Fé sem ação vira só discurso vão
Não ataco Deus, ataco hipocrisia
Quem ora alto mas dorme em covardia
Refrão
Meu microfone é arma, não é diversão
Cada verso é denúncia, intervenção
Não me peçam silêncio, eu não devo nada
Se a verdade dói, é porque é maltratada
Microfone é arma, palavra é munição
Rap não é moda, é posição
Se a rua sangra, eu canto a ferida
Essa é a voz de quem luta pela vida
Verso 3
Juventude perdida ou abandonada?
Não é perdida, foi negligenciada
Querem paz sem justiça social
Querem silêncio pra continuar igual
Não me chamem de radical
Radical é aceitar o normal
Normal é criança sem infância
Normal é morrer sem esperança
Eu rimo pra quem não tem microfone
Pra quem nunca teve sobrenome
Se o sistema me chama de problema
Então eu sou a falha no teu esquema
Outro
Rap não salva o mundo sozinho
Mas ilumina o caminho
Enquanto houver injustiça e dor
Vai ter rima…
Vai ter voz…
Vai ter rap