[Intro]
Sob a lua vermelha, meu terno de sombra acorda
O vácuo da manhã cheira a tinta de carmesim, e a cidade respira
[Verse 1]
Sou a Mão que guia o último ato, sem pressa nem presságio
Cenas na penumbra, relógio apita o destino com um sorriso de cacto
Cavalgo entre almas como quem sorri no trânsito da vida
Meu capuz guarda segredos que o dia insiste em não ver
[Chorus]
A cada passo que dou, o relógio se espelha no meu peito
Vivo entre risos secos, conto vidas como quem coleciona santos
Sou o reitor das estações, o buffet da existência que se desfaz
E a lua vermelha vigia, como uma cliente que paga o destino
[Verse 2]
Os corvos batem asas, checam meus cronogramas com olhar de vidro
Anoto hábitos, rotinas, o modo como cada coração se acomoda
Mudo de traje com o nascer da cidade, pronto para o próximo capítulo
Entre cafés sem cheiro e promessas que nunca se cumprem
[Pre-Chorus]
Mas não sou vilão nem mito: sou a razão de cada reinício
O silêncio é meu consultor, a noite minha agenda infinita
[Chorus]
A cada passo que dou, o relógio se espelha no meu peito
Vivo entre risos secos, conto vidas como quem coleciona santos
Sou o reitor das estações, o buffet da existência que se desfaz
E a lua vermelha vigia, como uma cliente que paga o destino
[Bridge]
Entre cruzeiros de sombras, observo o cotidiano humano
O balanço entre ego e fim, o hábito de apenas seguir adiante
Se a vida é palco, eu digo: haja o próximo ato com humor contido
[Chorus]
A cada passo que dou, o relógio se espelha no meu peito
Vivo entre risos secos, conto vidas como quem coleciona santos
Sou o reitor das estações, o buffet da existência que se desfaz
E a lua vermelha vigia, como uma cliente que paga o destino
[Outro]
Quando o dia fecha, eu volto ao meu escritório de sombras
Cito o nascer das coisas, e o céu me entrega o próximo começo