**Ei...**
O rico conta notas...
Eu conto horas.
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*(Verso I)*
O relógio bate...
O corpo responde.
O dia ainda nem nasceu...
E eu já vou longe.
Enquanto um abre o portátil...
Outro fecha o casaco.
Enquanto um fala de negócios...
Outro levanta sacos.
O rico conta notas.
O pobre conta horas.
Uns conhecem números...
Outros conhecem nódoas.
Pó na garganta.
Gasóleo na roupa.
Chego a casa roto...
Mas de cabeça solta.
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*(Refrão)*
Conta notas...
Eu conto horas.
Conta lucros...
Eu conto histórias.
No fim da viagem...
A terra não pergunta.
Quanto tinhas...
Pergunta quem foste.
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*(Verso II)*
Nunca tive heranças.
Nem padrinhos de gravata.
O meu currículo...
Está escrito nas mãos.
Quem nunca chegou cansado...
Sem sentir as pernas...
Nunca vai perceber...
Quanto pesa uma segunda-feira.
Falam de sucesso.
Eu falo de sobreviver.
Porque há meses...
Em que o salário...
Chega depois da coragem.
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*(Final)*
O rico conta notas.
O pobre conta horas.
Mas quando o tempo apaga o nome...
Fica só...
A memória do homem.