Deus abençoe esta terra...
A terra que me viu nascer.
A terra que me ensinou...
Abençoe quem a minha vida quer viver
Que nem todos comem o pão que amassam.
É aqui que eu ando a lutar para comer.
*(Verso I)*
Nasci onde o frio entrava pelas frinchas,
E a esperança aquecia mais que a lenha.
Vi a minha mãe esconder as suas lágrimas,
Para os filhos não aprenderem a desistir.
Vi homens partir antes do nascer do sol,
Com o almoço embrulhado num pano velho.
Talefo e costas ao sol,
mãos rachadas,
E o país inteiro em cima dos ombros.
*(Pré-Refrão)*
Dizem que o trabalho dignifica...
Então porque é que tantos vivem sem dignidade?
Dizem que Deus olha por todos...
Então porque é que tantos choram calados?
*(Refrão)*
Deus abençoe esta terra...
Onde o rico dorme descansado,
E o pobre acorda antes do sol nascer.
Deus abençoe esta terra...
E diz-me, meu Deus...
Abençoas sempre quem?
Quem assina o papel...
Ou quem levanta a parede?
Quem veste gravata...
Ou quem chega a casa coberto de pó?
Diz-me meu Deus?
*(Verso II)*
Nunca invejei o lugar de ninguém,
Só pedi respeito por quem trabalha.
Porque quem segura uma pá, um ferro ou uma enxada,
Também segura este país de pé.
O cimento seca...
O nosso suor fica.
A obra acaba...
Temos quem aplauda
Temos os calos que continuam.
*(Final)*
Deus...
Se me estás a ouvir...
Quando olhares para esta terra...
Olha primeiro...
Para quem a constrói.
Comigo foi assim, aqui eu sobrevivi, uma vida construí.
Deus, abençoe esta terra porque os meus filhos também estão aqui.