Hoje.
Não vendo a minha vontade.
Não guardo palavras para outra estação.
Hoje.
Há demasiada vida a bater-me no peito
Para continuar à espera de uma ocasião.
Hoje.
Descalço o peso dos ombros.
Deixo a culpa onde ela nasceu.
Nem tudo precisa de resposta,
Há silêncios que já disseram tudo.
Hoje.
Não quero promessas com prazo.
Quero o pulso certo deste instante.
Hoje...
É o único lugar onde existo.
Hoje...
É onde o riso ainda tem voz.
Hoje escolho o abraço,
o risco,
a verdade sem verniz.
Porque a vida não me pediu perfeição.
Pediu-me presença.
Hoje.
Abro as janelas por dentro.
Deixo entrar o que for real.
Já perdi tempo suficiente
A vestir sonhos feitos por outros.
Hoje.
Se houver queda, que venha.
Se houver festa, que fique.
E nenhuma delas decide
quem desperta em mim.
Hoje.
Não quero chegar primeiro.
Quero chegar inteiro.
Há uma diferença enorme.
E é nela que mora a vida.
Hoje.
Escrevo o meu nome
No que escolho viver.
Hoje.
Não espero pela coragem.
Hoje.
Dou-lhe um motivo para nascer.
Porque o futuro...
Vai encontrar-me
a viver.
Hoje.