[Intro]
A brisa leva o pó da estrada, o sol se vai devagar
[Verse 1]
A boiada avança, estrada de terra, chão que dói no pé
O menino espera, alma de menino, abrindo caminho pro gado crescer
O berrante corta o silêncio, ecoa pelo vale do meu sertão
A porteira brilha ao pôr do sol, promessa de mil canções
[Pre-Chorus]
E a poeira sobe, sobe, dança na palma da mão
Mas o tempo segreda na madeira da cruz, guardada na lembrança
[Chorus]
Poeira que tece o ar, berrante que rasga o vento no cerrado
Momentos que se vão, quando a poeira baixa e a cruz aparece
A memória aperta o peito, sigo o rumo sem me esquecer do chão
Cruz de madeira marcada pelo tempo, meu coração bate no mesmo compasso
[Verse 2]
A imagem da cruz persiste, no rosto do vaqueiro há chuva de lembranças
O berrante se ergue pra espantar a mágoa que insiste
Lembro Fazenda Rio Grande, onde o gado bravo guia minha voz ao passar
Ouço o meu próprio peito no som do berrante, ecoando pelas varzeas
[Pre-Chorus]
A poeira retorna, mas a cruz fica firme no olhar
E o menino crescido continua a jornada, sem abrir mão do chão
[Chorus]
Poeira que tece o ar, berrante que rasga o vento no cerrado
Momentos que se vão, quando a poeira baixa e a cruz aparece
A memória aperta o peito, sigo o rumo sem me esquecer do chão
Cruz de madeira marcada pelo tempo, meu coração bate no mesmo compasso
[Bridge]
Mesmo quando o sol se põe e o mundo cala, a voz do berrante não se cala
[Chorus]
Poeira que tece o ar, berrante que rasga o vento no cerrado
Momentos que se vão, quando a poeira baixa e a cruz aparece
A memória aperta o peito, sigo o rumo sem me esquecer do chão
Cruz de madeira marcada pelo tempo, meu coração bate no mesmo compasso
[Outro]
E assim segue a boiada, sob o céu que guarda o meu passado
Onde a porteira brilha, onde a cruz me chama de volta ao meu chão