Há coisas que não precisam de voz.
Basta o modo como se olha.
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### Verso I
Não disseste nada.
E ainda assim percebi tudo.
O teu olhar não pergunta — confirma,
como se o mundo parasse por um momento e assinasse.
Há encontros que não fazem barulho,
mas mudam o sentido do silêncio.
E eu, que sempre soube fugir do indizível,
fiquei.
Sem argumento.
Sem defesa.
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### Pré-Refrão
Não é acaso.
É reconhecimento.
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### Refrão
Foi no olhar
que ficou tudo o que não se diz.
Sem promessa,
sem raiz.
Só esse instante
onde o tempo hesita
e o resto desaparece.
Foi no olhar…
que o mundo fez sentido
sem explicar porquê.
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### Verso II
Não falámos do que importa.
Talvez por medo, talvez por lucidez.
Mas há verdades que não precisam de frase,
vivem na pausa, na frase que não nasce.
O teu olhar não insiste — permanece,
como se soubesse mais do que a presença.
E eu, que sempre fui cálculo e contenção,
perdi a equação.
Sem ruído.
Sem conclusão.
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### Ponte
Se isto é destino,
não o ouvi chegar.
Se isto é escolha,
não sei quando comecei a ficar.
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### Último Refrão
Foi no olhar
que tudo ficou por dizer.
E no não dizer
ficou o que não se pode perder.
Sem nome,
sem explicação.
Só esse instante suspenso
entre razão e coração.
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### Final
E se um dia isto for memória,
não será pela história.
Será pelo olhar…
que ainda sabe voltar.