Tenho cadernos que não são papel,
são pensamentos em tom cruel,
uns são céu, outros são queda,
uns são reza que ninguém enreda.
Escrevo o que sinto sem dar versão,
dor sem legenda, sem explicação,
histórias tortas, linhas abertas,
verdades soltas por portas incertas.
Às vezes rio, às vezes não sei,
às vezes perdi-me no que pensei,
ansiedade senta na mesma cadeira,
vira personagem da minha maneira.
Tenho páginas que não mostro a ninguém,
lá mora o tudo, o mal e o bem,
lá mora o que eu não digo em voz alta,
lá mora o mundo quando a alma salta.
Nos meus cadernos cabe o infinito,
cabe o grito que eu deixo escrito,
cabe a dúvida, cabe a oração,
cabe o caos dentro da razão.
Nos meus cadernos eu sou inteiro,
sem filtro, sem medo, verdadeiro,
se o mundo pesa, eu viro papel,
e deixo o mundo caber nele.
Há dias claros e dias estranhos,
rabiscos vivos em vários tamanhos,
uns são memória, outros são sonho,
outros são medo que eu decomponho.
Escrevo leve, escrevo pesado,
escrevo sóbrio, meio alterado,
tudo é válido dentro da folha,
tudo é verdade que ninguém escolhe.
Já escrevi dor que não sabia falar,
já escrevi fé só para aguentar,
já escrevi nada e era tudo ao mesmo,
já me encontrei perdido no mesmo.
Não há censura no que eu sinto aqui,
não há segredo que eu escondi,
os cadernos sabem o que eu sou,
antes de eu saber para onde vou.
Nos meus cadernos cabe o infinito,
cabe o grito que eu deixo escrito,
cabe a dúvida, cabe a oração,
cabe o caos dentro da razão.
Nos meus cadernos eu sou inteiro,
sem filtro, sem medo, verdadeiro,
se o mundo pesa, eu viro papel,
e deixo o mundo caber nele.