A vida nunca me prometeu facilidade.
Só me pediu...
verdade.
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Aprendi cedo
que o tempo não faz favores.
Apenas revela
o valor das escolhas.
Vi portas fechadas
abrirem caminhos.
Vi mãos vazias
transportarem mundos.
Desde então,
deixei de medir a grandeza
pela altura.
Passei a medi-la
pela coragem
de recomeçar.
Procuro outro brilho.
Não o que deslumbra.
O que permanece.
O que não grita.
O que não se vende.
O que atravessa o inverno
e ainda encontra
primavera.
Há quem colecione títulos.
Eu prefiro memórias.
Há quem procure vencer.
Eu procuro merecer.
A delicadeza
nunca foi ausência de força.
É a firmeza
que escolhe
não ferir
quando podia.
Porque a verdadeira coragem
não vive no punho.
Vive na consciência.
Se a estrada endurecer...
endurece os passos.
Nunca o coração.
Porque uma alma endurecida
já perdeu
antes de chegar.
Quero outro brilho.
O da palavra cumprida.
O do olhar tranquilo.
O da mão que levanta
sem esperar recompensa.
Quero partir desta vida
mais leve
do que entrei.
Mas deixar
mais força
do que encontrei.
No fim...
não será o ouro.
Nem o aplauso.
Nem o nome escrito na pedra.
Será a forma
como atravessámos o mundo.
Sem perder
aquilo
que o mundo
tantas vezes tenta levar.
Esse...
é o outro brilho.